domingo, 4 de março de 2018

Barbarie humana, quando a Síria se salvará?



Guerra na Síria já matou mais de mil crianças só em 2018
Segundo a Unicef, esse número mostra que uma criança morreu a cada hora desde que começou deste ano no país










Genebra – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou nesta sexta-feira que mais de mil crianças morreram ou ficaram gravemente feridas na Síria desde o início de 2018 por causa do conflito.

Em entrevista coletiva em Genebra, o diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África, Geert Cappelaere, detalhou que este número significa que uma criança morreu a cada hora desde que começou o ano na Síria.

“A situação continua provocando uma enorme preocupação da perspectiva das crianças”, disse Cappelaere, ao depositar as esperanças na resolução tomada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que defendeu a aplicação de uma pausa humanitária de pelo menos 30 dias.

Cappelaere também anunciou que desde a aprovação de tal resolução no sábado passado, o Unicef tem um comboio preparado para entrar em Duma, dentro da região de Ghouta Oriental, onde residem cerca de 200 mil crianças, segundo a organização.

Cappelaere disse que o Unicef tem autorização para acessar a região no próximo domingo e que sua carga permitirá atender 70 mil crianças com comida e provisões médicas.
“Não incluímos o fornecimento de provisões educativas, já que saúde e alimentação são as necessidades mais imediatas e tínhamos que priorizá-las”, esclareceu.

O especialista disse estar ciente que em outras ocasiões algumas provisões foram retiradas dos comboios, sobretudo remédios, mas se mostrou esperançoso que algo similar não ocorrerá desta vez já que o Unicef não foi tão afetado como outras agências por estes boicotes.

Além disso destacou que os níveis de desnutrição em Ghouta Oriental são “alarmantes” e que “milhares de crianças poderiam morrer”, por isso que os comboios fornecerão alimentos “que permitirão estabilizar a situação”.

“A desnutrição aguda não é uma ameaça para a vida de uma criança, mas pode ser caso as crianças tenham outros problemas de saúde”, disse Cappeleare, ao acrescentar que “a má alimentação as debilita de tal forma como um resfriado pode ser letal”.

Além disso, Cappelaere lembrou que cerca de cem crianças necessitam ser evacuadas da região, algumas há muito tempo, seja por problemas de desnutrição, ferimentos ou outras doenças que não podem ser tratadas com os recursos disponíveis dentro da província.


“Muitas crianças podem ficar marcadas para o resto da vida, não porque as suas doenças não tenham solução, mas porque não têm acesso a ela”, afirmou, ao detalhar que 2,5 milhões de crianças fugiram do país por causa do conflito, a maioria delas refugiadas nos países vizinhos, e 85% vive em situação de pobreza.



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Minério de ferro sobrando



Estoque de minério na China ultrapassa 150 mi de toneladas



 Terminal de minério de ferro no porto de Qingdao, na China. Foto: Dreamstime.

Acúmulo é devido a má qualidade do minério. Produto também é produzido gerando poluição, o que não condiz com a nova política de redução de emissões na China.
Os estoques de minério de ferro nos portos da China são de mais de 150 milhões de toneladas. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, essa quantidade produziria aço para a construção de 107 milhões de carros.

O mercado de aço na China vem mostrando sinais de esgotamento após a recuperação do ano passado. O estoque em alta de minério de ferro pode prejudicar os preços da commodity, segundo os analistas de mercado ouvidos pela Ruters.

Dados da SteelHome afirmam que o volume de minério importado do país atingiu 154,43 milhões de toneladas em 19 de janeiro, com alta de 30% ao longo de 12 meses. Isso devido a uma demanda de aço e ações que combatem a poluição produzidas no processo.

Segundo a Reuters, um operador de minério de ferro do porto relatou que “há minério de ferro demais nos portos, e isso vai pressionar os preços para baixo. Se o volume continuar a crescer, operadores serão forçados a vender mais barato”.

Outra pesquisa da SteelHome aponta que 37% do estoque pertence a operadores de mercado e o resto é de usinas. Os dois grupos elevaram suas importações ao longo do ano de 2017 enquanto os preços do aço iam subindo em quase 50%.

Com a campanha contra a poluição a busca por minério de ferro importado de qualidade aumentou, principalmente da Austrália e do Brasil que são os pioneiros em produzir mais quantidade e sendo menos prejudicial ao meio ambiente.

O minério de ferro estocado nos portos da China é de qualidade inferior e pouco requisitado no mercado. O recorde de produção do país deve cair devido a campanha pela procura de um material melhor, cujo processo é menos poluente.
Em 2017, a China produziu 831,7 milhões de toneladas e nesse ano a estimativa é de 820 milhões segundo o Barclays.